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Clube Servidor – Você assumiu este mandato num perÃodo em que a educação pública gaúcha enfrenta cortes de investimentos e de ameaças a importantes conquistas dos educadores. Qual a solução para inverter estes problemas?
Rejane Silva de Oliveira - A única forma é o governo priorizar as escolas públicas, contratar mais educadores qualificados e investir mais na educação. No dia 14 de novembro faremos uma reunião na Assembléia para discutir sobre o Piso, plano de carreira e defesa do IP público.
Clube Servidor – No seu ponto de vista, quais os problemas mais graves que estão ocorrendo na educação pública?
Rejane - Vários, o sucateamento, fechamento de escolas, o desrespeito a lei de gestão democrática, falta de autonomia das escolas, falta de investimentos, polÃtica de reajuste zero, falta de diálogo entre o CPERS e o governo.
Clube Servidor – Na questão educação, o que a governadora Yeda implantou que trouxe benefÃcios aos professores da rede pública?
Rejane - Este é o problema, ela não apresenta nada aos educadores. O governo Yeda não apresenta nenhum projeto polÃtico pedagógico para debater com a comunidade escolar, alunos, pais e professores. Eu vou dizer o que a Yeda fez em toda sua gestão: Primeiramente, fez todo um desmonte, cortou a acedência dos dirigentes sindicais para seu mando sindical. Tem feito terrorismo, ameaças aos trabalhadores que participam dos movimentos sindicais, afirmando que não terão as suas faltas abonadas, sendo que a constituição estadual, federal proÃbe qualquer interferência do estado em movimentos sindicais. O próprio Estatuto dos Servidores Públicos diz que os trabalhadores que forem em movimentos devem ser abonados. Enfim é um governo que estabelece uma ordem de serviço para que os trabalhadores peçam uma autorização com 30 dias de antecedência para participarem do Sindicato.
Clube Servidor – Na manifestação do dia 23 de setembro, ocorreu uma desnecessária atuação da PolÃcia Militar contra os educadores. Dizem que foi ordem da Governadora Yeda, você acha que a governadora teria realmente ordenado os policiais irem para cima dos manifestantes?
Rejane - Sim isso é muito claro para nós, o comandante Mendes tem um cargo de confiança no governo e ele já provou que tem uma postura muito violenta. Foi uma ação totalmente desnecessária da Brigada.Não tinha nenhum motivo para fazer isso. Nós, professores já estávamos nos retirando do local, tanto que a imprensa gravou isso, e mesmo assim a Brigada jogou os cavalos para cima de nós, sendo que 90% dos educadores que estavam lá eram mulheres. Isso cada dia mais mostra que este governo é um governo autoritário e sem leis.
Clube Servidor – O que o governo poderia fazer para melhorar o salário dos professores da rede pública?
Rejane - Implementar a lei do piso, respeitar o nosso plano de carreira, apresentar propostas polÃticas pedagógicas, cumprir as leis como, por exemplo, 35 % de investimentos do estado devem ser para educação e 12% para saúde. Isso ela não cumpre, as leis não estão sendo cumpridas, pois a proposta de investimentos na educação é de 26%, um investimento abaixo da lei. A governadora está acabando com tudo. Ela acabou com muitos EJA (educação para jovens e adultos), segundo ela isso não precisa, o foco é cuidar do aprendizado das crianças pois os adultos já tiveram a chance de estudar quando eram jovens, agora não é mais necessário. Isto é uma coisa que todos ficamos sem palavras, muitos não tiveram a oportunidade de estudar quando jovens pelo fato de passarem por dificuldades, ou tiveram que priorizar o trabalho e deixar o estudo de lado para colocar a comida dentro de casa. Então, isto é uma coisa que ficamos sem palavras. Em uma reunião com o CPERS, ela afirmou que é preciso investir nas escolas que tem melhor desempenho. Mas e as escolas que ficam na periferia e não tem uma estrutura para ser uma escola de qualidade? Isso não é culpa dos professores, isto é culpa do governo que não investe na educação e prioriza os ricos, deixando os pobres de lado. Por isso as escolas estão caindo aos pedaços, condições precárias, falta de professores, falta de investimentos nos colégios e nos educadores. Se nós, professores, não lutarmos contra isso, ela acabará com a educação no Rio Grande do Sul.
Data:
2008-10-07
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